Textos da assessoria de imprensa da Flip:
Mesa 6 – 10h
A VIDA COMO ELA FOI
Fernando Morais, Paulo Cesar de Araújo e Ruy Castro
No final de 2006, o historiador Paulo Cesar de Araújo publicou Roberto Carlos em detalhes, biografia do cantor mais popular do Brasil nas últimas quatro décadas. Fruto de 15 anos de pesquisas e de mais de 200 entrevistas, o livro foi bem recebido pelo binônimo "público e crítica". Mas desagradou o biografado, que impediu na Justiça a circulação do livro. Nesta mesa, Araújo conversa com os dois principais biógrafos em atividade no país, que também já experimentaram o gosto dos tribunais por conta de seus livros.
Mesa 7 - 11h45
ÁLBUM DE FAMÍLIA
Ahdaf Soueif e Ana Maria Gonçalves
Suas histórias abarcam gerações. Seus personagens atravessam continentes e culturas. Da África Ocidental ao Brasil, do Norte da África à Inglaterra, homens e mulheres que nadam contra o fluxo incessante da história — e o testemunham. Ana Maria Gonçalves, autora de Um defeito de cor, a primeira saga brasileira narrada da perspectiva de uma escrava, conversa com Ahdaf Soueif, cujos romances — como O mapa do amor — traçam o impacto emocional de andar pela corda bamba que separa o Oriente do Ocidente.
Mesa 8 – 15h
TERRAS
Antônio Torres e Mia Couto
Nossa casa é a terra que deixamos para trás, o lugar ao qual jamais podemos retornar. Terra sonâmbula, o já clássico romance de estréia do autor moçambicano Mia Couto, lança um olhar melancólico sobre um país devastado pela guerra civil. Em sua obra mais aclamada, Essa terra, o romancista baiano Antônio Torres descreve as amarguras de um imigrante nordestino forçado a deixar sua casa em busca de uma vida melhor na chamada cidade grande. Dois narradores singulares fazem leituras de suas últimas obras e discutem como a literatura pode brotar de dentro do chão.
Mesa 9 – 17h
CRIME E CASTIGO
Dennis Lehane e Guillermo Arriaga
A aleatoriedade da violência nos centros urbanos é apenas um dos temas que unem as obras destes dois grandes romancistas e roteiristas. O mexicano Guillermo Arriaga, autor de Um doce aroma de morte, assin ou os roteiros de filmes premiados, como “Amores brutos” e “Babel”. Dennis Lehane, que escreveu uma série de romances policiais ambientados no sul de Boston, é o autor de Sobre meninos e lobos, adaptado para o cinema por Clint Eastwood. A morte — no papel e na tela — estará presente no cardápio de Parati.
Mesa 10 - 19h
PANTERAS NO PORÃO
Amós Oz e Nadine Gordimer
“Qualquer escritor que tenha um mínimo de valor espera propiciar um brilho tênue para iluminar o labirinto belo e sangrento da experiência humana”, diz a Prêmio Nobel Nadine Gordimer. Mas qual é o significado da literatura num país dividido pela história, embotado pela opressão ou dilacerado pela violência? Gordimer, autora de A filha de burger, e Amós Oz, o mais importante romancista e destacado militante pela paz em Israel, autor de De amor e trevas, falam sobre o papel da literatura no resgate de uma humanidade permeada pela injustiça.
quinta-feira, 5 de julho de 2007
A mesa é dos biógrafos
Outra discussão imperdível nesta sexta em Paraty começa às 10h, na Tenda dos Autores. A vida como ela foi vai reunir Ruy Castro, biógrafo de Nelson Rodrigues, Fernando Morais, que escreveu Olga e Chatô, e Paulo César Araújo, o novato do grupo.
Mas ele já chegou fazendo barulho. Seu Roberto Carlos em Detalhes chegou às prateleiras em 2006 e, este ano, levou o Rei às cortes. O cantor e compositor acabou conseguindo retirar o livro de circulação em todo o Brasil.
A obra nasceu depois de 15 anos de pesquisas e de mais de 200 entrevistas. O público comprou, a crítica aprovou... mas RC não, que foi cobrar à Justiça. Junto com Castro e Morais, Araújo vai falar sobre o gosto amargo que esse tipo de censura pode deixar num autor.
Mas ele já chegou fazendo barulho. Seu Roberto Carlos em Detalhes chegou às prateleiras em 2006 e, este ano, levou o Rei às cortes. O cantor e compositor acabou conseguindo retirar o livro de circulação em todo o Brasil.
A obra nasceu depois de 15 anos de pesquisas e de mais de 200 entrevistas. O público comprou, a crítica aprovou... mas RC não, que foi cobrar à Justiça. Junto com Castro e Morais, Araújo vai falar sobre o gosto amargo que esse tipo de censura pode deixar num autor.
Mais frases
Não tô me amostrando não... Mas é que tem essa exposiçãozinha num dos espaços da Flip e eu adorei essa frase de Nelson:


E há outras tantas pérolas!
* As mulheres não sabem escolher bem seus maridos, só seus amantes.
* A pior solidão é a companhia de um paulista.
* Mulher não gosta de apanhar - só as normais.
* Quem ganha e perde as partidas é a alma.
* Deus só freqüenta as igrejas vazias.
* O jovem ou é um Rimbaud ou um débil mental.
* A razão é uma conquista espiritual que o sujeito leva 50 anos para ter.
Crime e castigo

Quem está na Flip e aprecia a relação entre cinema e literatura não pode perder a mesa 9, marcada para às 17h desta sexta. Os romancistas e roteiristas Dennis Lehane (foto) e Guillermo Arriaga são as estrelas da conversa, graças aos pontos em comum que suas obras têm.
Lehane é um dos autores norte-americanos mais férteis no campo do romance policial. Seu Mystic River rendeu o belíssimo Sobre Meninos e Lobos, nas mãos do diretor Clint Eastwood.
Já o mexicano Arriaga assina a quatro mãos, junto com o realizador Alejando Iñárritu, a identidade de filmes como Amores Brutos, 21 Gramas e Babel.
Na pauta da mesa da Flip, "a aleatoriedade da violência nos centros urbanos e a morte — no papel e na tela".
Lehane é um dos autores norte-americanos mais férteis no campo do romance policial. Seu Mystic River rendeu o belíssimo Sobre Meninos e Lobos, nas mãos do diretor Clint Eastwood.
Já o mexicano Arriaga assina a quatro mãos, junto com o realizador Alejando Iñárritu, a identidade de filmes como Amores Brutos, 21 Gramas e Babel.
Na pauta da mesa da Flip, "a aleatoriedade da violência nos centros urbanos e a morte — no papel e na tela".
Uma frase de Nelson
O dramaturgo, uma vez questionado por uma repórter por que fazia sempre trabalhos cobertos de tragédia e desgraça, respondeu, singelamente:
"Minha filha, a vida não é um piquenique".
Precisa mais?
"Minha filha, a vida não é um piquenique".
Precisa mais?
Expectativa em Paraty
Uma das atrações mais aguardadas na Festa Literária Internacional de Paraty é a leitura dramática de Um Beijo no Asfalto, uma das mais famosas peças de Nelson Rodrigues.
Quem vai dirigir a leitura é a premiada encenadora Bia Lessa - entre outros destaques na carreira, atuou em Nelson Rodrigues - O Eterno Retorno, de Antunes Filho, nos já longínquos anos 1980.
Nada mais apropriado, então, que ela assuma esta leitura dramática na Flip. Mas com uma diferença fundamental - ao invés de atores fazendo os personagens, diversos autores encarnarão os tipos criados por Nelson. Essa experiência também foi vivida pelo dramaturgo pernambucano, quando subiu ao palco como tio Raul, na hoje clássica Perdoa-me por me traíres.
A leitura está marcada para o sábado, às 22h - e vale registrar que conseguimos comprar os dois últimos ingressos!
Quem vai dirigir a leitura é a premiada encenadora Bia Lessa - entre outros destaques na carreira, atuou em Nelson Rodrigues - O Eterno Retorno, de Antunes Filho, nos já longínquos anos 1980.
Nada mais apropriado, então, que ela assuma esta leitura dramática na Flip. Mas com uma diferença fundamental - ao invés de atores fazendo os personagens, diversos autores encarnarão os tipos criados por Nelson. Essa experiência também foi vivida pelo dramaturgo pernambucano, quando subiu ao palco como tio Raul, na hoje clássica Perdoa-me por me traíres.
A leitura está marcada para o sábado, às 22h - e vale registrar que conseguimos comprar os dois últimos ingressos!
João Donato, um auxílio mais que luxuoso
Não deu para quem quis. Os ingressos para o show da Orquestra Imperial, grande atração da festa de abertura da Flip, estavam esgotados há tempos. Mas isso não foi problema para quem foi à Tenda da Matriz e arredores, ontem à noite, para curtir a apresentação de uma das gratas surpresas que se consolidaram no cenário carioca, ano passado.
"Você só dança com ele e diz que é sem compromisso...". O clássico de Geraldo Pereira que Chico Buarque tornou popular foi a primeira música apresentada pela Orquestra, que disse logo a que veio: o negócio é dançar!
Entre sucessos próprios, como Não Fui Eu Não, e canções de outros autores - Thalma de Freitas cantando Me Deixa Em Paz, de Monsueto, é algo imperdível - o show embalou vários casais e também aquele pessoal que sempre prefere dançar soltinho.
Mantendo a tradição de dividir o palco com outros artistas, o convidado da Orquestra Imperial para o show na Flip foi o pianista João Donato que, do alto dos seus 72 anos, não teve problemas em se juntar à moçada e renovar canções como A Rã. Realmente uma noite inesquecível, sob a lua que enfeitava o céu de Paraty.
"Você só dança com ele e diz que é sem compromisso...". O clássico de Geraldo Pereira que Chico Buarque tornou popular foi a primeira música apresentada pela Orquestra, que disse logo a que veio: o negócio é dançar!
Entre sucessos próprios, como Não Fui Eu Não, e canções de outros autores - Thalma de Freitas cantando Me Deixa Em Paz, de Monsueto, é algo imperdível - o show embalou vários casais e também aquele pessoal que sempre prefere dançar soltinho.
Mantendo a tradição de dividir o palco com outros artistas, o convidado da Orquestra Imperial para o show na Flip foi o pianista João Donato que, do alto dos seus 72 anos, não teve problemas em se juntar à moçada e renovar canções como A Rã. Realmente uma noite inesquecível, sob a lua que enfeitava o céu de Paraty.
Aventura para todos
Esse é o nome do mini-ciclo de palestras que o Instituto Náutico Paraty promove, hoje e amanhã, na programação paralela da Flip. As conversas começam sempre às 18h, na sede do Instituto.
O primeiro convidado é Jorge Badia. Aos 70 anos, ele tem muita história pra contar e uma das mais interessantes é sobre a viagem que fez de São Paulo a Buenos Aires, a capital argentina - mas ele foi num barco de madeira, saindo do rio Tietê.
Na sexta-feira, a palestrante é a publicitária Sandra Chemin. Ela largou o mundo das agências e passou três anos vivendo com a família num barco, mas agora resolveu ancorar por um tempo em Paraty.
"Aventura não é uma coisa para ricos, todo mundo é capaz, é isso que queremos mostrar. Aventura é importante para a vida de qualquer pessoa, basta querer", diz Júnior Rameck, presidente do Instituto Náutico.
Júnior também preparou uma palestra, mas a realização dela no sábado, também às 18h, ainda não está confirmada. Ele velejou com Amyr Klink até a Antártica e deverá falar sobre a experiência nos mares gelados do Pólo Sul.
O primeiro convidado é Jorge Badia. Aos 70 anos, ele tem muita história pra contar e uma das mais interessantes é sobre a viagem que fez de São Paulo a Buenos Aires, a capital argentina - mas ele foi num barco de madeira, saindo do rio Tietê.
Na sexta-feira, a palestrante é a publicitária Sandra Chemin. Ela largou o mundo das agências e passou três anos vivendo com a família num barco, mas agora resolveu ancorar por um tempo em Paraty.
"Aventura não é uma coisa para ricos, todo mundo é capaz, é isso que queremos mostrar. Aventura é importante para a vida de qualquer pessoa, basta querer", diz Júnior Rameck, presidente do Instituto Náutico.
Júnior também preparou uma palestra, mas a realização dela no sábado, também às 18h, ainda não está confirmada. Ele velejou com Amyr Klink até a Antártica e deverá falar sobre a experiência nos mares gelados do Pólo Sul.
Perdão, perdão
Pessoal, nossas desculpas pelo lapso na atualização. A madrugada foi longa, editando a reportagem que vocês vão ver hoje no NETV 1ª Edição, por isso o blog teve que ficar em segundo plano.
Mas hoje o gás será total, podem aguardar. Pra começar, algumas imagenzinhas de ontem, de dia - é só clicar aqui. Virão outras em breve.
Mas hoje o gás será total, podem aguardar. Pra começar, algumas imagenzinhas de ontem, de dia - é só clicar aqui. Virão outras em breve.
quarta-feira, 4 de julho de 2007
Iphan na Flip
Pense em algo difícil. Pensou? É andar em Paraty. O problema não é a sinalização, que é ótima, mas a quantidade de coisas interessantes para se fazer. Tudo é motivo para uma parada e haja concentração para manter o foco no que se pretende. Por isto, uma sugestão é traçar um roteiro e aproveitar o máximo.
Por exemplo, vale dar uma passada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan. Ele fica na Praça Monsenhor Hélio Pires, a principal da cidade, e é lá que começam, amanhã, quinta-feira, a exposição de livros e a mostra Patrimônio e Leitura durante a Festa Literária Internacional de Paraty – Flip2007.
É bom saber o seguinte: entre os dias 5 e 8 de julho, de 10h às 20h. Para saber mais, http://aber.locaweb.com.br/v2/noticia.php?IdNoticia=1409.
Por exemplo, vale dar uma passada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan. Ele fica na Praça Monsenhor Hélio Pires, a principal da cidade, e é lá que começam, amanhã, quinta-feira, a exposição de livros e a mostra Patrimônio e Leitura durante a Festa Literária Internacional de Paraty – Flip2007.
É bom saber o seguinte: entre os dias 5 e 8 de julho, de 10h às 20h. Para saber mais, http://aber.locaweb.com.br/v2/noticia.php?IdNoticia=1409.
O belo exemplo do Instituto Náutico Paraty
O Instituto Náutico Paraty, que promoveu a regata de abertura da Feira, existe há sete anos e dá aula para crianças que vivem na periferia da cidade - a única exigência para ser aluno é comprovar a freqüência na escola regular.
A turma que competiu hoje está estudando há um ano e meio. "A gente ensina como montar e desmontar os barcos, fazer manutenção, limpar tudo, mas tem outras coisas, como trabalho em grupo, respeito aos outros, obediência à hierarquia. E também tem um aprendizado que muitas vezes eles não conseguem ter na escola. Eles precisam saber física, geografia, matemática para poder velejar", explica Júnior Rameck, presidente do Instituto.
Para ele, essa oportunidade pode ser um caminho para o futuro desses meninos, que têm idade entre 6 e 16 anos. "A gente tá formando mão-de-obra, fazemos um banco de dados de tripulantes que poderão trabalhar em outras regatas. Aqui em Paraty, por exemplo, há cinco anos só havia 300 barcos, hoje são quase 2 mil. Tudo isso é mercado de trabalho pra esses meninos", diz Rameck.
As aulas no Instituto acontecem sempre aos sábados, das 11h às 17h, graças ao trabalho de cinco voluntários. Uma delas é a argentina Susana Arregin, que está em Paraty há quatro anos.
"Sempre trabalhei com náutica, mas não queria mais a vida na cidade grande. Então eu e meu marido decidimos vir para Paraty, sabendo que poderíamos continuar trabalhando com a mesma coisa aqui", diz ela.
Quando Susana começou a trabalhar no Instituto, havia cinco alunos - hoje são 52 e há lista de espera para os próximos cursos. "Esses meninos são filhos de caiçaras, e se um dia o peixe que os pais deles pescam acabar? Eles não tinham outras opções, mas agora estamos dando uma oportunidade", explica a voluntária.
Além do trabalho voluntário, o que mantém o Instituto são doações: barcos, peças e itens de segurança chegam às aulas através da doação ou do empréstimo feito por comerciantes e administradores das marinas.
As aulas começam no rio Perequê-Açu, para que os meninos tenham os primeiros contatos com os barcos. Depois de aproximadamente um mês, eles são levados pela primeira vez para velejar no mar. "Também fazemos acampamentos de surpresa. A gente pega os meninos, os pais deles e sai com todo mundo, velejando pela baía de Paraty. Aí a gente pára numa praia, todo mundo desce e ajuda a montar o acampamento, a preparar a comida, organiza tudo. É importante também para o aprendizado deles", defende Júnior Rameck.
"Nosso objetivo é ensiná-los a velejar e cultivar o esporte náutico, para que, daqui a alguns anos, eles nos sucedam. Mas, além da navegação, também ensinamos respeito e solidariedade. São coisas que eles vão poder levar para o resto da vida", assegura o presidente do Instituto Náutico Paraty.
A turma que competiu hoje está estudando há um ano e meio. "A gente ensina como montar e desmontar os barcos, fazer manutenção, limpar tudo, mas tem outras coisas, como trabalho em grupo, respeito aos outros, obediência à hierarquia. E também tem um aprendizado que muitas vezes eles não conseguem ter na escola. Eles precisam saber física, geografia, matemática para poder velejar", explica Júnior Rameck, presidente do Instituto.
Para ele, essa oportunidade pode ser um caminho para o futuro desses meninos, que têm idade entre 6 e 16 anos. "A gente tá formando mão-de-obra, fazemos um banco de dados de tripulantes que poderão trabalhar em outras regatas. Aqui em Paraty, por exemplo, há cinco anos só havia 300 barcos, hoje são quase 2 mil. Tudo isso é mercado de trabalho pra esses meninos", diz Rameck.
As aulas no Instituto acontecem sempre aos sábados, das 11h às 17h, graças ao trabalho de cinco voluntários. Uma delas é a argentina Susana Arregin, que está em Paraty há quatro anos.
"Sempre trabalhei com náutica, mas não queria mais a vida na cidade grande. Então eu e meu marido decidimos vir para Paraty, sabendo que poderíamos continuar trabalhando com a mesma coisa aqui", diz ela.
Quando Susana começou a trabalhar no Instituto, havia cinco alunos - hoje são 52 e há lista de espera para os próximos cursos. "Esses meninos são filhos de caiçaras, e se um dia o peixe que os pais deles pescam acabar? Eles não tinham outras opções, mas agora estamos dando uma oportunidade", explica a voluntária.
Além do trabalho voluntário, o que mantém o Instituto são doações: barcos, peças e itens de segurança chegam às aulas através da doação ou do empréstimo feito por comerciantes e administradores das marinas.
As aulas começam no rio Perequê-Açu, para que os meninos tenham os primeiros contatos com os barcos. Depois de aproximadamente um mês, eles são levados pela primeira vez para velejar no mar. "Também fazemos acampamentos de surpresa. A gente pega os meninos, os pais deles e sai com todo mundo, velejando pela baía de Paraty. Aí a gente pára numa praia, todo mundo desce e ajuda a montar o acampamento, a preparar a comida, organiza tudo. É importante também para o aprendizado deles", defende Júnior Rameck.
"Nosso objetivo é ensiná-los a velejar e cultivar o esporte náutico, para que, daqui a alguns anos, eles nos sucedam. Mas, além da navegação, também ensinamos respeito e solidariedade. São coisas que eles vão poder levar para o resto da vida", assegura o presidente do Instituto Náutico Paraty.
Hoje é dia de festa
A programação da Flip propriamente dita só começa amanhã, com as primeiras mesas com os autores. Mas a cidade já está completamente mobilizada para o evento: muitas pessoas nas ruas, turmas escolares caminhando com seus professores entre as exposições, gente comprando ingresso, outros só passendo e curtindo o clima da Flip.
A abertura da Festa acontece às 21h, com a crítica teatral Barbara Heliodora prestando uma homenagem a Nelson Rodrigues. A Orquestra Imperial faz o show da noite, na Tenda da Matriz. Para quem não conseguiu ingressos, uma dica: já soubemos por aqui que dá pra curtir o som do lado de fora, e até melhor, com espaço pra dançar.
Confira a programação das mesas da Tenda dos Autores para esta quinta, dia 5 (os textos são da assessoria de imprensa da Flip):
Mesa 1 – 10h
FUTURO DO PRESENTE - Cecilia Giannetti, Fabrício Corsaletti e Veronica Stigger
Uma romancista do Rio de Janeiro, um poeta do interior de São Paulo, uma contista de Porto Alegre. Seja com a prosa seca e urbana de uma, com a poesia lírica com algum cheiro de terra do outro ou com narrativas alucinadas com aroma de lua da terceira, estes três jovens escritores realimentam a ficção brasileira ao apresentarem em uma bibliografia ainda curta o extremo vigor literário. Nesta conversa, eles apresentam o que ainda virá, e o que já está sendo, na literatura nacional.
Mesa 2 – 11h45
UIVOS - Chacal e Lobão
Os dois têm mais em comum do que os apelidos de feras caninas. Em campos diferentes, estes dois cariocas inconformados vêm fazendo há um par de décadas o mesmo processo. Extrair poesia do cotidiano mais banal e transformá-la em coisa falada. Lobão canta seus poemas, Chacal fala suas criaturas em eventos como o Centro de Experimentação Poética CEP 20000, encontro de poetas que criou há dezessete anos no Rio. Ambos letristas experientes, falarão na FLIP sobre a música que há na poesia e a poesia que vira música.
Mesa 3 – 15h
NELSON RODRIGUES - ATO 2 - Augusto Boal e Eduardo Tolentino
Durante a ditadura, quando Augusto Boal foi preso acusado de subversão, Nelson Rodrigues publicou um artigo defendendo fervorosamente o dramaturgo. “Sua vida é uma apaixonada meditação sobre o mistério teatral”, concluía. Nesta mesa, Boal, hoje o nome mais conhecido do teatro brasileiro fora do país, divide um pouco desses mistérios com Eduardo Tolentino, fundador do grupo Tapa e premiado diretor teatral que já se notabilizou como um apaixonado “meditador” dos mistérios dramatúrgicos de Nelson Rodrigues.
Mesa 4 – 17h
SOBRE MACACOS E PATOS - Jim Dodge e Will Self
Dois talentos literários excêntricos e irreverentes falam do processo criativo na literatura. Até que ponto pode ser ensinado? O autor cult Jim Dodge, diretor do Programa de Escrita Criativa da Humboldt State University, na Califórnia, tem o dever de responder que sim. No entanto, os exercícios de sala de aula dificilmente produziriam outra pata obesa e incapaz de voar, como a protagonista de sua inesquecível novela Fup. Uma oficina literária tampouco ensinaria a criar as aberrações, mutantes e visionários grotescos que povoam a ficção de Will Self. Qual, diabos, é a melhor forma de alimentar a criatividade dos escritores?
Mesa 5 - 19h
TÃO LONGE, TÃO PERTO - Kiran Desai e José Eduardo Agualusa
“De onde você vem?” Nem todos podem responder essa pergunta aparentemente simples com facilidade. Dois escritores brilhantes, autores de obras premiadas, questionam até que ponto a identidade é determinada pelo lugar de origem e discutem de que maneira a vida itinerante moldou a ficção que produzem. O segundo romance de Kiran Desai, O legado da perda, uma reflexão delicada sobre a solidão do deslocamento, ganhou o principal prêmio inglês, o Man Booker Prize de 2006. Os personagens dos livros de Agualusa estão em constante deslocamento, por isso sua escrita tem brasileirismos e gírias angolanas. Seu romance O Vendedor de Passados, de 2004, lhe rendeu em maio deste ano o importante prêmio Independent Foreign Fiction Prize.
A abertura da Festa acontece às 21h, com a crítica teatral Barbara Heliodora prestando uma homenagem a Nelson Rodrigues. A Orquestra Imperial faz o show da noite, na Tenda da Matriz. Para quem não conseguiu ingressos, uma dica: já soubemos por aqui que dá pra curtir o som do lado de fora, e até melhor, com espaço pra dançar.
Confira a programação das mesas da Tenda dos Autores para esta quinta, dia 5 (os textos são da assessoria de imprensa da Flip):
Mesa 1 – 10h
FUTURO DO PRESENTE - Cecilia Giannetti, Fabrício Corsaletti e Veronica Stigger
Uma romancista do Rio de Janeiro, um poeta do interior de São Paulo, uma contista de Porto Alegre. Seja com a prosa seca e urbana de uma, com a poesia lírica com algum cheiro de terra do outro ou com narrativas alucinadas com aroma de lua da terceira, estes três jovens escritores realimentam a ficção brasileira ao apresentarem em uma bibliografia ainda curta o extremo vigor literário. Nesta conversa, eles apresentam o que ainda virá, e o que já está sendo, na literatura nacional.
Mesa 2 – 11h45
UIVOS - Chacal e Lobão
Os dois têm mais em comum do que os apelidos de feras caninas. Em campos diferentes, estes dois cariocas inconformados vêm fazendo há um par de décadas o mesmo processo. Extrair poesia do cotidiano mais banal e transformá-la em coisa falada. Lobão canta seus poemas, Chacal fala suas criaturas em eventos como o Centro de Experimentação Poética CEP 20000, encontro de poetas que criou há dezessete anos no Rio. Ambos letristas experientes, falarão na FLIP sobre a música que há na poesia e a poesia que vira música.
Mesa 3 – 15h
NELSON RODRIGUES - ATO 2 - Augusto Boal e Eduardo Tolentino
Durante a ditadura, quando Augusto Boal foi preso acusado de subversão, Nelson Rodrigues publicou um artigo defendendo fervorosamente o dramaturgo. “Sua vida é uma apaixonada meditação sobre o mistério teatral”, concluía. Nesta mesa, Boal, hoje o nome mais conhecido do teatro brasileiro fora do país, divide um pouco desses mistérios com Eduardo Tolentino, fundador do grupo Tapa e premiado diretor teatral que já se notabilizou como um apaixonado “meditador” dos mistérios dramatúrgicos de Nelson Rodrigues.
Mesa 4 – 17h
SOBRE MACACOS E PATOS - Jim Dodge e Will Self
Dois talentos literários excêntricos e irreverentes falam do processo criativo na literatura. Até que ponto pode ser ensinado? O autor cult Jim Dodge, diretor do Programa de Escrita Criativa da Humboldt State University, na Califórnia, tem o dever de responder que sim. No entanto, os exercícios de sala de aula dificilmente produziriam outra pata obesa e incapaz de voar, como a protagonista de sua inesquecível novela Fup. Uma oficina literária tampouco ensinaria a criar as aberrações, mutantes e visionários grotescos que povoam a ficção de Will Self. Qual, diabos, é a melhor forma de alimentar a criatividade dos escritores?
Mesa 5 - 19h
TÃO LONGE, TÃO PERTO - Kiran Desai e José Eduardo Agualusa
“De onde você vem?” Nem todos podem responder essa pergunta aparentemente simples com facilidade. Dois escritores brilhantes, autores de obras premiadas, questionam até que ponto a identidade é determinada pelo lugar de origem e discutem de que maneira a vida itinerante moldou a ficção que produzem. O segundo romance de Kiran Desai, O legado da perda, uma reflexão delicada sobre a solidão do deslocamento, ganhou o principal prêmio inglês, o Man Booker Prize de 2006. Os personagens dos livros de Agualusa estão em constante deslocamento, por isso sua escrita tem brasileirismos e gírias angolanas. Seu romance O Vendedor de Passados, de 2004, lhe rendeu em maio deste ano o importante prêmio Independent Foreign Fiction Prize.
Regata com cheiro de literatura
O primeiro evento que acompanhamos da Flip não tem tanta ligação com literatura, mas tem muito com barcos e toda a cultura náutica que a cidade de Paraty desenvolveu ao longo do tempo - uma regata.
Mas não é uma regata comum. Quem veleja são crianças e adolescentes, alunos do Instituto Náutico Paraty, uma espécie de confraria bem-intencionada, que ensina os truques e as teorias para quem quer entrar no mundo das embarcações.
O primeiro barco a completar o percurso foi o de Graco Rabelo, 14 anos, competidor na categoria optmist. "Eu velejo há quatro anos, comecei depois de ver um campeonato com o meu pai lá no Rio Grande do Sul", diz o medalha de ouro.
Mas o prêmio para os vencedores não tem medalha nem troféu - na verdade, os livros que são dados aos ganhadores também podem ser considerados troféus, mas de um outro tipo. "Quem sabe agora eu vou começar a gostar de ler?", pergunta Graco, sorrindo.
Mas não é uma regata comum. Quem veleja são crianças e adolescentes, alunos do Instituto Náutico Paraty, uma espécie de confraria bem-intencionada, que ensina os truques e as teorias para quem quer entrar no mundo das embarcações.
O primeiro barco a completar o percurso foi o de Graco Rabelo, 14 anos, competidor na categoria optmist. "Eu velejo há quatro anos, comecei depois de ver um campeonato com o meu pai lá no Rio Grande do Sul", diz o medalha de ouro.
Mas o prêmio para os vencedores não tem medalha nem troféu - na verdade, os livros que são dados aos ganhadores também podem ser considerados troféus, mas de um outro tipo. "Quem sabe agora eu vou começar a gostar de ler?", pergunta Graco, sorrindo.
Um post em Paraty, finalmente
Ufa! A Flip nem começou direito e a gente já tem milhares de coisas para contar... Chegamos a Paraty por volta de 12h30, mas só agora conseguimos parar e entrar no hotel, tamanha a quantidade de coisas para ver e fazer na cidade, neste primeiro dia de Festa Literária.
Só para situar, Paraty é uma cidade que fica na região dos lagos, a 248 quilômetros do Rio de Janeiro. A viagem de carro é linda, graças a essa mistura entre mar e montanha, que rende uma beleza singular.
Só para situar, Paraty é uma cidade que fica na região dos lagos, a 248 quilômetros do Rio de Janeiro. A viagem de carro é linda, graças a essa mistura entre mar e montanha, que rende uma beleza singular.
terça-feira, 3 de julho de 2007
Outro Rodrigues na Flip

Um dos eventos programados para a Festa Literária Internacional de Parati, a Flip, é uma exposição com os desenhos de Roberto Rodrigues, irmão mais velho do homenageado Nelson - essa ilustração aí do lado é de autoria dele, crédito para Ruy Castro em seu Anjo Pornográfico.
Roberto morreu de forma trágica, aos 23 anos, assassinado no gabinete de seu pai, na redação do jornal Crítica, de propriedade dos Rodrigues. Esse crime viria a marcar toda a família para sempre, tornando-se determinante também para a obra do irmão Nelson.
Aguardemos a chegada a Parati. Sem dúvida a exposição será um de nossos pousos. Comentários virão em breve!
Roberto morreu de forma trágica, aos 23 anos, assassinado no gabinete de seu pai, na redação do jornal Crítica, de propriedade dos Rodrigues. Esse crime viria a marcar toda a família para sempre, tornando-se determinante também para a obra do irmão Nelson.
Aguardemos a chegada a Parati. Sem dúvida a exposição será um de nossos pousos. Comentários virão em breve!
Precisamos de um bom banho
Parece mentira, mas os controladores aéreos cooperaram e nenhum atraso na viagem. Durante as três horas de vôo que separam o Recife do Rio, passamos por uma espécie de 'coma' pelo cansaço. Do aeroporto até Ipanema, bairro onde estamos hospedados, deu para perceber que o Rio continua encantador, apesar dos pesares. Pela janela, o mar, as vitrines e, claro, o Cristo.
Olhando para dentro, o que era quarto começa a ser transformado num projeto de redação. Equipamentos espalhados junto com roupas e muitos papéis com informações sobre a Flip - Festa Literária Internacional de Parati, que cobriremos a partir de amanhã. E você vem com a gente!
Alguns anos atrás, os mais jovens não vão se lembrar, evidentemente, mas uma peça chamada Mamãe Não Pode Saber, fez grande sucesso no Recife. A personagem da atriz Sônia Bierbard repetia insistentemente o bordão, que aqui peço licença para usar, "Eu preciso mesmo é de um bom banho". Ao chuveiro, pois - e até Parati!
Olhando para dentro, o que era quarto começa a ser transformado num projeto de redação. Equipamentos espalhados junto com roupas e muitos papéis com informações sobre a Flip - Festa Literária Internacional de Parati, que cobriremos a partir de amanhã. E você vem com a gente!
Alguns anos atrás, os mais jovens não vão se lembrar, evidentemente, mas uma peça chamada Mamãe Não Pode Saber, fez grande sucesso no Recife. A personagem da atriz Sônia Bierbard repetia insistentemente o bordão, que aqui peço licença para usar, "Eu preciso mesmo é de um bom banho". Ao chuveiro, pois - e até Parati!
O Rio de Janeiro continua lindo
Chegamos no Rio há algumas horas e, por enquanto, nosso destino é qualquer um. Também... Depois de uma segunda-feira de mais decupagens, textos, offs gravados, recados para os editores e malas feitas durante a madrugada, até que vale um descansozinho, né?
Já dizia o poeta pernambucano Ascenso Ferreira, no seu poema Filosofia:
A José Pereira de Araújo - "Doutorzinho de Escada"
Hora de comer, - comer!
Hora de dormir, - dormir!
Hora de vadiar, - vadiar!
Hora de trabalhar?
- Pernas pro ar que ninguem é de ferro!
Vamos dar uma voltinha hoje e amanhã cedo partiremos de carro para Parati.
Já dizia o poeta pernambucano Ascenso Ferreira, no seu poema Filosofia:
A José Pereira de Araújo - "Doutorzinho de Escada"
Hora de comer, - comer!
Hora de dormir, - dormir!
Hora de vadiar, - vadiar!
Hora de trabalhar?
- Pernas pro ar que ninguem é de ferro!
Vamos dar uma voltinha hoje e amanhã cedo partiremos de carro para Parati.
domingo, 1 de julho de 2007
Trabalha, trabalha nega
Hoje é domingo, estou de plantão, mas não sei muito bem o que está acontecendo na cidade. Minha atenção está voltada para a decupagem do material que gravamos esta semana, com os entrevistados que utilizaremos durante a cobertura da Flip.
Temos algumas horas de gravação, falas interessantíssimas... Tenho certeza de que a reportagem com João Dennys, o diretor que fez uma montagem elogiadíssima de Vestido de Noiva no Recife nos anos 1980, vai ser uma das melhores.
Tá começando... Daqui a pouco tem mais!
Temos algumas horas de gravação, falas interessantíssimas... Tenho certeza de que a reportagem com João Dennys, o diretor que fez uma montagem elogiadíssima de Vestido de Noiva no Recife nos anos 1980, vai ser uma das melhores.
Tá começando... Daqui a pouco tem mais!
sexta-feira, 29 de junho de 2007
Muito mais trabalho a caminho
Mas o trabalho não pára com a chegada do fim de semana. Estou de plantão e vou passar o sábado e o domingo, entre outras coisas, decupando o material que já gravamos, marcando quais as melhores sonoras, as imagens mais bonitas.
Tem tanta coisa pra ver! Fora as entrevistas, há muito material do Cedoc, o Centro de Documentação aqui da Globo Nordeste.
E na segunda-feira, ainda vai ter mais coisa... Definir vinheta, finalizar textos, Marjones para burilar tudo e gravar as narrações.
Viajaremos na terça e a Flip começa na quarta. Descanso mesmo, quem sabe, só quando a gente voltar para o Recife. Mas a chance de um trabalho desses... quem não quer?
Tem tanta coisa pra ver! Fora as entrevistas, há muito material do Cedoc, o Centro de Documentação aqui da Globo Nordeste.
E na segunda-feira, ainda vai ter mais coisa... Definir vinheta, finalizar textos, Marjones para burilar tudo e gravar as narrações.
Viajaremos na terça e a Flip começa na quarta. Descanso mesmo, quem sabe, só quando a gente voltar para o Recife. Mas a chance de um trabalho desses... quem não quer?
Assinar:
Postagens (Atom)
